Capítulo in: LOMBARDI, José Claudinei (org.). Temas de Pesquisa em Educação. p. 243-262. ISBN 85-7496-072-1.

Campinas / Caçador: Autores Associados / UnC, 2003, 276 p.

Neste ensaio, integrante do sexto capítulo do livro “Temas de Pesquisa em Educação”, dedicado aos estudos regionais, Nilson Thomé levanta a hipótese de que a Educação, na Região do Contestado, era relegada a último plano pelos governos estaduais e municipais e que foi usada, sistematicamente, para servir à classe dominante. Trata-se de um enfoque diferente e importantíssimo para a compreensão do lento ritmo da evolução do ensino na região, ritmo este ditado pelas oligarquias, para as quais era mister manter a grande maioria popular, a dominada, na ignorância e, assim, completamente afastada do poder político. A dominação da educação escolar e da alfabetização na Região do Contestado pelas oligarquias catarinenses manteve-se durante toda a primeira metade do Século XX, sendo algumas das suas características: a manutenção de pequeno número de escolas, resultando na baixa oferta de matrículas; estabelecimentos públicos voltados apenas para as primeiras séries do ensino básico; nenhum indício de intenção de abertura ao ensino profissionalizante rural ou industrial, como era a vocação regional na época; excessivo controle do pessoal envolvido no processo educacional; nomeações de diretores de escolas e de professores com pouco ou nenhum critério técnico e seguindo indicações políticas; e manutenção da população adulta analfabeta no analfabetismo absoluto. Nos primeiros anos do Século XX, o descaso do poder público para com a educação no Centro-Oeste Catarinense era evidente. A lacuna – falta de escolas – foi preenchida, durante todos este tempo, pelos estabelecimentos particulares, na maioria confessionais, com apoio das comunidades que surgiam na medida em que avançava a colonização e, onde não havia padres ou freiras, o ensino ficava por conta de professores arregimentados dentre os próprios imigrantes. Para Thomé, em regra geral, o Homem do Contestado que representava a classe dominada, pobre, agricultora e operária, que não dispôs de escola para estudar na infância e que não teve acesso a instrumentos de alfabetização de adultos, permaneceu à margem das decisões políticas. O voto era negado ao analfabeto e, esta era uma circunstância que favorecia o coronelismo, pois excluía grande parte da população do processo que se anunciava – no discurso – como amplamente democrático.