Capítulo in: SCHELBAUER, Analete Regina. LOMBARDI, José Claudinei. MACHADO, Maria Cristina Gomes (orgs.). “Educação em Debate: Perspectivas, Abordagens e Historiografia. p. 323-348. ISBN 85-7496-185 e ISBN 978-85-7496-185-9.

Campinas / Maringá: Autores Associados / UEL, 2006. 372 p.

Este trabalho busca a construção da História da Educação Escolar no Contestado. E produzido a partir de um estudo sobre a aplicação das medidas repressoras ao uso da língua estrangeira e às escolas étnicas existentes nas vilas e núcleos coloniais em Santa Catarina, principalmente as alemãs e teuto-brasileiras, e as italianas e ítalo-brasileiras, quando da Campanha de Nacionalização, durante o Estado Novo. O texto busca a totalidade e enfoca a universalidade do tema, em nível de Brasil, para alcançar a particularidade e analisar sua singularidade no campo regional. É um estudo sobre o fenômeno da “nacionalização” ocorrido na Região do Contestado, no Centro-Oeste do Estado de Santa Catarina, na primeira metade do Século XX, apreciado em suas duas etapas, a primeira antecedendo a deflagração da I Guerra Mundial e, a segunda, com maior intensidade, durante o Estado Novo. Associa as iniciativas de combate ao nazismo e ao fascismo, e a repressão das autoridades brasileiras e catarinenses ao uso cotidiano das línguas de origem – alemã, italiana, polonesa e ucraniana, principalmente – analisando as práticas didático-pedagógicas pró-pregação da nacionalidade brasileira nas escolas étnicas e a condenação generalizada ao italianitá e a deutschum. Santa Catarina era o Estado que apresentava, proporcionalmente, a maior população de origem alemã no Brasil. Nas regiões que receberam imigrantes germânicos, muitas das escolas que os habitantes conheciam eram as alemãs, dirigidas por professores alemães e, onde se ensinava exclusivamente a língua alemã; nessas escolas, o português era uma língua cujo estudo era considerado facultativo. Em menos de três anos o Interventor Estadual, sr. Nereu Ramos, liquidou com esta influência estrangeira no ensino, nacionalizando completamente municípios de várias regiões, consideradas por muitos como “irrecuperáveis”. Somente agora – na passagem do Século XX para o XXI – então transcorridos pouco mais de meio século do tempo histórico da Campanha da Nacionalização, é que a pesquisa em História – também, no caso, a pesquisa em História da Educação – em Santa Catarina, busca uma re-interpretação deste interessante fenômeno, importantíssimo para a compreensão do desenvolvimento do processo educativo na Região do Contestado, área que coincide com o Centro-Oeste do Estado, onde, até 1917, a administração era dividida com o Paraná. A análise do fenômeno da “Nacionalização”, na sua universalidade de abrangência nacional-federal, é que promove a assimilação dos fatos no nível estadual e a sua singularidade no âmbito regional, alcançando as esferas municipais. Os estudos teóricos acerca dos temários envolventes, de nacionalismo, civilidade e ideologias, são fundamentais para o entendimento da inserção dos atos administrativos, considerados sempre legais, mas nem sempre legítimos e quase nunca morais, na Educação Escolar.