Em capítulo sobre o Clima, enfocando as temperaturas em Caçador, o livro “Isto é Caçador – Estudo Geográfico do Município”, publicado pelo historiador e jornalista Nilson Thomé em 1978, registra à página 28:

“A temperatura mínima absoluta – e também a mínima em todo o Brasil nos últimos 35 anos – foi registrada em 11 de junho de 1952, com a marca de -14ºC (quatorze graus centígrados abaixo de zero)”.

Depois disso, na edição de 1995 do “Guiness Book – O Livro dos Recordes” constou a menção à página 27:

“Brasil. As maiores variações de temperatura do Brasil foram de 52ºC em Caçador, Santa Catarina (-14ºC a 11 de junho de 1952 e 38ºC a 6 de janeiro de 1948), e 51,5ºC em Xanxerê, Santa Catarina (-11,6ºC a 25 de junho de 1945 e 39,4ºC a 7 de janeiro de 1947)”.

E mais adiante, na mesma página, o “Livro dos Recordes Mundiais “confirma:

“Brasil. A 11 de junho de 1952, a temperatura mínima absoluta de -14ºC foi registrada em Caçador, Santa Catarina”.

Agora, em 2 de agosto de 2011, a jornalista Gisele Dias, da Assessoria de Comunicação da EPAGRI/CIRAM, divulga no site da organização a matéria sob o título “-14ºC é a menor temperatura registrada em SC, em 1952, e testemunhada por aposentado da Epagri”. Narra a reportagem:

No dia 11 de junho de 1952 os moradores de Caçador enfrentaram um frio de -14ºC, a menor temperatura registrada no território catarinense. A temperatura extrema foi registrada em um posto de meteorologia da cidade e testemunhada por Wilson de Oliveira Quadros, técnico rural que por anos exerceu a função de observador meteorológico a serviço da Epagri.

O site da Epagri/Ciram confirma a informação no link Recordes de Frio em SC. Segundo o meteorologista Clóvis Corrêa, é uma prática normal da meteorologia revisar frequentemente dados históricos, o que foi feito recentemente pela equipe do Centro. E tal trabalho reforçou a marca dos -14ºC registrados naquele distante dia congelante em Caçador.

Seu Wilson, hoje com 77 anos, aposentado e morador da Grande Florianópolis, é um dos pioneiros da meteorologia e da pesquisa rural em Santa Catarina. Nos períodos de 1956 a 1959 e de 1961 a 1962 foi responsável pelo setor de pesquisa e experimentação e meteorologia da Estação Experimental de Caçador. Em 1960 fez estágio na Seção de Climatologia Agrícola do IPEAS/Pelotas onde aprendeu, entre outras coisas, a manusear os aparelhos, fazer medições e elaborar relatórios de dados meteorológicos.

Foi graças a esse estágio que passou a exercer oficialmente a função de observador meteorológico e recebeu uma missão da qual se orgulha até hoje: montar e ser o encarregado do posto meteo-agrário de Caçador. A partir daí procurou meios de expressar sua paixão pela meteorologia e pela pesquisa: criou um informativo impresso distribuído por correio para a população local e passou a divulgar diariamente na rádio da cidade os dados medidos pela estação.

“O chefe responsável pelas medições antes desse período não permitia a divulgação dos dados, por isso é difícil encontrar registros na imprensa dos -14ºC verificados em 1952”, explica Seu Wilson. Ele criou e transmitia diariamente pela rádio o programa “Boa Noite Homem do Campo”, onde fazia questão de divulgar as pesquisas e a atuação dos pesquisadores, num tempo em que esses eram assuntos pouco discutidos no Brasil.

Pioneiro em vários aspectos, Seu Wilson exibe hoje currículo profissional invejável, tendo passado pela Embrapa, Ministério da Agricultura e Epagri. Quando fala de sua carreira revela, na entonação de voz e no gestual, todo o orgulho que tem pela vida profissional desenvolvida com amor e abnegação. Hoje aproveita a aposentadoria ao lado da esposa, filhos e netos, com a tranquilidade de quem cumpriu a missão máxima de um servidor público: trabalhar pelo desenvolvimento da sociedade.