Os professores doutores Maria de Lourdes Pinto de Almeida e Nilson Thomé, do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), de Lages, lançam neste mês de outubro o livro “Educação: História e Política – uma discussão sobre processos formativos e socioculturais”, pela Editora Mercado de Letras, de Campinas (SP).

A coletânea, organizada neste ano (ISBN 978-85-7891-235-5) por Almeida & Thomé, com 330 páginas, contém 12 capítulos, produzidos por destacados doutores em Educação do Sul do Brasil, inclusive dos seus organizadores.

O caçadorense Dr. Nilson Thomé, da UNIPLAC, participa desta coletânea científica com o capítulo “Instituições Escolares no Centro-Oeste Catarinense: Introduzindo a construção da sua História”.

Abrindo as discussões sobre história da educação e processos socioculturais há o capítulo elaborado pelo Prof.  Nilson Thomé sobre instituições escolares no centro-oeste catarinense. Inserido nos estudos regionais de História da Educação Brasileira, neste artigo o autor aborda seus trabalhos na temática da História das Instituições Educativas no Centro-Oeste do Estado de Santa Catarina. A partir da apresentação do vocábulo “Contestado”, que identifica esta região geográfica, o texto expõe a base teórica, o método adotado, as estratégias utilizadas para o levantamento de fontes, aproveitamento de memórias e de arquivos, a coleta de dados, a análise e construção de históricos de instituições regionais, com destaque para as escolas, resultado de trabalhos conjuntos de historiadores e pedagogos.

O lançamento da obra acontece no Centro de Convenções de Porto das Galinhas, no Estado de Pernambuco, dia 24 de outubro, durante a 35º Reunião Anual da ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação.

Coincidindo com a efeméride do centenário da Guerra do Contestado (1912-1916), violento conflito armado pela disputa de fronteiras (daí a expressão, “contestado”) e posse da terra entre Paraná e Santa Catarina, será lançado nacionalmente, a partir de outubro, o filme “O Contestado – Restos Mortais” (118 min., cor/PB), de Sylvio Back, o premiado diretor de “Aleluia, Gretchen”, “Yndio do Brasil” e “Lost Zweig”. O longa-metragem será exibido em cinco capitais, estreando em Curitiba e Florianópolis (19 de outubro); em seguida, Porto Alegre (26/10), Rio de Janeiro (02/11) e São Paulo (23.11).

Tema já tratado ficcionalmente pelo autor em “A Guerra dos Pelados” (1971), hoje um épico “clássico” sobre a questão fundiária no Brasil, “O Contestado – Restos Mortais” é o inédito resgate histórico e mítico (através do transe de 30 médiuns em cena), iconográfico (inéditas músicas e filmes da época) e oral (a fala forte de descendentes dos rebeldes e de especialistas), dessa autêntica guerra civil nos sertões do sul até hoje submersa em mistério.

Envolvendo milhares de posseiros, pequenos proprietários, comerciantes, autoridades municipais, índios, negros, imigrantes europeus e fanáticos religiosos, e a nada surpreendente repressão do Exército e forças militares regionais associadas a "coronéis" e seus jagunços, o inesperado levante, que provocou a morte de mais de 20 mil pessoas, ensanguentou o centro-oeste de Santa Catarina durante quatro anos, num território do tamanho do estado de Alagoas.

História desconhecida

“Nesses quarenta e um anos que separam "A Guerra dos Pelados" deste "O Contestado – Restos Mortais", filmado entre 2008 e 2010 no próprio teatro de operações do Contestado, uma sensação de lesa pátria nunca deixou de me assombrar” – confessa Sylvio Back.

“Sim, não apenas como cidadão – explica –, mas por ser um cineasta cuja obra é seduzida pela ânsia de reverter falácias, compromissos políticos-ideológicos e o esquecimento militante da história oficial. Enfim, quão esquecidos, ignorados, omitidos, quando menos, minimizados, permanecem personagens, fatos & atos em torno da Guerra do Contestado. Seja junto à própria memória sobrevivente em Santa Catarina e no Paraná, seja pela indiferença com que é tratada no meio acadêmico e de sua explícita pouca importância no ensino escolar, portanto, da historiografia brasileira. O Contestado está se tornando invisível” – adverte Back.

Separatismo

Quando de sua eclosão em 1912, com a morte do monge José Maria, líder dos posseiros, e do coronel João Gualberto, da Polícia Militar do Paraná, no Irani, território da discórdia, na falta de melhores informações e compreensão do inusitado episódio e até pela proximidade da tragédia de Vaza Barris (1895-1896), alcunhou-se o Contestado de "Canudos do Sul".

Ainda que existam semelhanças, principalmente, na crença da chegada de um Messias, no fanatismo dos revoltosos e na feroz reação militar da nova República, seu espectro extravasa em envergadura, recorrência e reflexos nas décadas seguintes (e até hoje), a trágica epopeia de Antonio Conselheiro.

Desde seus aspectos e componentes místicos (a disciplina férrea das “cidades santas” e as ações predadoras do chamado “Exército Encantado de São Sebastião”); e bélico (a convocação e a utilização de 1/3 do exército brasileiro, mais de sete mil homens), ao geopolítico (separatismo, instalação das empresas multinacionais, Brazil Railway Company e Southern Brazil Lumber & Colonization, alimentando sentimento coletivo anti-imperialista), socioeconômico (a implantação do capitalismo na região); ao demográfico (imigrantes alemães, polacos, rutenos, italianos, comprando terras ocupadas por moradores sem título de propriedade).

Terra & poder

“Os rebeldes do Contestado – assevera Back, provecto estudioso do episódio – “almejavam o poder. Tanto é que cogitaram a fundação de um Estado, a “Monarquia Sul Brasileira”, que pretendia, inclusive, anexar o Uruguai ao seu território, e se estenderia até o Rio de Janeiro. O estamento militar da República, vacinado com o desastre de Canudos, a começar pelo presidente, Hermes da Fonseca, ficou furioso com a ousadia.

E, diante do noticiário alarmante da imprensa do Rio de Janeiro, reflexo dos jornais catarinenses e paranaenses, ordenou ao general Setembrino de Carvalho, que vinha de aniquilar revolta do padre Cícero no Ceará, que espanasse os fanáticos catarinenses do mapa. Assim foi executado, a ferro e fogo, implacável cerco e letal destruição dos redutos rebeldes com moderno armamento (depois utilizado na I Guerra Mundial), além do uso de avião pela primeira vez no país” – conclui o diretor dos laureados, “República Guarani” e “Guerra do Brasil”.

Mediunidade

Para rastrear os mais recônditos segredos do Contestado, muitas deles subentendidos nos testemunhos e nos “buracos negros” da história factual, “O Contestado – Restos Mortais” envereda por uma insólita narrativa cinematográfica, que Back chama de antidoc, por situar-se na contramão do discurso documental ora em voga que, majoritariamente, investe no viés “chapa branca”, hagiográfico e turístico de seus temas e personagens. Para tanto, incorpora o transe mediúnico à linguagem do filme como uma instância do inconsciente coletivo do homem, e assim, dos eventos do Contestado sendo redescobertos um século depois.

“O transe mediúnico é pura poesia” – teoriza Back. “No filme a aposta é nessa direção, imiscuir-se, reinventando através da palavra, pela sua verbalização cifrada e entrecortada pela fluidez do tempo e do espaço, no que foi esquecido e no que é preciso lembrar” – completa.

O carisma dos médiuns, extraído de dezessete horas de gravações, acabou se transformando em "influxos condutores do ritmo e da invisibilidade do filme”. Conforme acredita o cineasta, “a incorporação deles em inacreditáveis protagonistas plasmáticos”.

Sylvio Back faz questão de dizer que não é espírita. “Meu filme passa ao largo da onda do “cinema espírita”, que merece todo o meu respeito”. Prefere encarar o transe como algo suprarreal, onde tudo é imaginação e imaginário, “um salto no subterrâneo anímico de pessoas e acontecimentos como se prestidigitação fora rumo ao mais denso dos mistérios da alma humana” – conclui.

Elenco do saber

Compõe o elenco de especialistas na Guerra do Contestado, de fora e de dentro da academia (mestres e doutores), cujos depoimentos permeiam e dão consistência ao discurso histórico e à polêmica de “O Contestado – Restos Mortais”, juntamente com o testemunho de descendentes dos rebeldes, trinta médiuns em transe, a vasta e original iconografia de imagens fixas e em movimento, como do insólito enterro do coronel João Gualberto em Curitiba, e da serraria norte-americana da Lumber em funcionamento, então (1915), a maior da América do Sul, os seguintes especialistas, em ordem alfabética:

Alexandre Assis Tomporoski, historiador (Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC); general Aureliano Pinto de Moura, historiador (Instituto Geográfico e Histórico Militar do Brasil–RJ); Celso Martins da Silveira (SC), historiador e jornalista; Delmir José Valentini, historiador (Universidade do Contestado–UNC/SC); Eloy Tonon, historiador (Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória (PR); Euclides Felippi, historiador (SC); Fernando Tokarski, historiador (UNC/SC); Ivone Cecília D’Ávila Gallo, historiadora (UNICAMP/PUC/SP); João Batista (JB) Ferreira dos Santos (SC), jornalista e radialista; Márcia Janete Espig, historiadora (Universidade Federal de Pelotas–UFPel/RS); Márcia Motta, historiadora (Universidade Federal Fluminense–UFF/RJ); Marli Auras, historiadora (UFSC); Nilson Cesar Fraga, historiador (Universidade Federal do Paraná–UFPR); Nilson Thomé, historiador (UNC/SC); Paulo Pinheiro Machado, historiador (UFSC); Paulo Ramos Derengoski (SC), jornalista e historiador; Pedro Aleixo Felisbino (SC), historiador; Rogério Rosa Rodrigues, historiador (UFSC); Todd Diacon, brasilianista (Kent State University/Ohio–EUA); e Vicente Telles (SC), historiador e músico.

Equipe & Produção

Produzido, filmado no centro-oeste de Santa Catarina, e editado entre 2008 e 2010, o projeto de “O Contestado – Restos Mortais” remonta a 2004 quando Sylvio Back se deu conta da necessidade da emprestar mais repercussão regional e nacional ao magno conflito da Guerra do Contestado. Inclusive, prevendo a data do centenário, neste outubro de 2012, para cuja comemoração o filme acabou em lançamento.

Compõe a equipe de realização do filme, profissionais como o diretor de fotografia e câmara, Antonio Luiz Mendes, que trabalhou com Back em “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro”, ”Lost Zweig” e no inédito, “O Universo Graciliano”; Margit Richter, produtora executiva de seus filmes há vinte e cinco anos; Paulo Henrique Souza (PH), diretor de produção e, também, editor do filme, e o cineasta Zeca Pires, diretor assistente. Back assina as pesquisas, o roteiro e a direção do filme.

“O Contestado – Restos Mortais” é uma produção da Usina de Kyno e Anjo Azul Filmes, com o patrocínio da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina), COPEL (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e SANEPAR (Companhia de Saneamento do Paraná), através da Lei do Audiovisual (Agência Nacional do Cinema–ANCINE); e apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, FAPEU (Fundação de Amparo à Pesquisa Universitária) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). –

Sylvio Back: Biobliofilmografia

Sylvio Back, cineasta, poeta, roteirista e escritor. Filho de imigrantes hún¬garo e alemã, é natural de Blumenau (SC). Ex-jornalista e crí¬tico de cinema, au¬todidata, inicia-se na direção cinematográfica em 1962, tendo realizado e produzido até hoje trinta e sete filmes – curtas, médias e onze longas-metragens: "Lance Maior" (1968), "A Guerra dos Pe¬lados" (1971), "Ale¬luia, Gretchen" (1976), "Revo¬lução de 30" (1980), "Repú¬blica Gua-rani" (1982), "Guerra do Bra¬sil" (1987), "Rádio Auriverde" (1991), "Yndio do Brasil" (1995), "Cruz e Sousa - O Poeta do Des¬terro" (1999); "Lost Zweig" (2003); "O Contestado – Restos Mortais" (2010); e "O Universo Graciliano" (2012, em finalização).

Publicou vinte e um livros (poesia, contos, ensaios) e os argu-men¬tos/roteiros dos filmes, "Lance Maior", "Aleluia, Gret¬chen", "Re¬pública Guarani", "Sete Quedas", "Vida e Sangue de Po-laco", "O Auto-Retrato de Bakun", "Guerra do Brasil", "Rá¬dio Auriverde", "Yndio do Brasil", "Zweig: A Morte em Cena", "Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro" (tetralíngue), "Lost Zweig" (bilíngue) e "A Guerra dos Pelados".

Obra poética: "O Ca¬derno Eró¬tico de Sylvio Back" (Tipografia do Fundo de Ouro Preto, MG, 1986); "Moedas de Luz" (Max Limo¬nad, SP, 1988); "A Vinha do De¬sejo" (Geração Editorial, SP, 1994); "Yndio do Brasil" (Poemas de Filme) (No¬nada, MG, 1995), "bou¬doir" (7Le¬tras, RJ, 1999), "Eurus" (7Letras, RJ, 2004), "Traduzir é poetar às avessas" (Langston Hughes traduzido) (Memorial da América Latina, SP, 2005), "Eurus" bilíngue (português-inglês) (Ibis Libris, RJ, 2006); "kinopoems" (@-book) (Cronópios Pocket Books, SP, 2006) e "As mulheres gozam pelo ouvido" (Demônio Negro, SP, 2007).

Com 74 láureas nacionais e internacionais, Back é um dos mais premiados cineastas do Brasil. Sua obra poética, em especial, os livros de extrato erótico, coleciona uma vasta fortuna crítica. Em 2011, recebe a insígnia de Oficial da Ordem do Rio Branco, concedida pelo Ministério das Relações Exteriores pelo conjunto de sua obra cinematográfica e de roteirista. –

Convidado pela Prefeitura Municipal de Videira, rica e próspera cidade do Centro-Oeste de Santa Catarina, o prof. Nilson Thomé, do Mestrado em Educação da UNIPLAC, palestrou sobre a “Guerra do Contestado” aos professores de História da rede pública municipal de ensino básico.

O encontro, com três horas de duração, foi realizado no auditório do Pólo da Universidade Aberta do Brasil, promoção da direção da Biblioteca Municipal Euclides da Cunha, de Videira, na manhã de sexta-feira 13.

Para marcar o transcurso dos cem anos deste conflito (1913-1916), a Biblioteca lançou um concurso de maquetes sobre a temática, para alunos do 6ª ao 9ª ano  do ensino fundamental, promoção que se estenderá até a 3ª Feira do Livro, em novembro próximo.

A coordenação do 8º Congresso Internacional de Educação Superior – Universidad 2012, que se realizará em Havana, de 13 a 17 de fevereiro do próximo ano, confirmou a participação do Prof. Dr. Nilson Thomé, do Mestrado em Educação da Universidade do Planalto Catarinense, de Lages, que apresentará trabalho acadêmico sobre o Projeto Rondon, como “uma experiência brasileira de extensão universitária e de integração nacional – modelo para a América Latina”.

A comunicação, aceita pelo comitê científico, será em língua espanhola, na sessão da XI Oficina de Extensão Universitária, quando o professor Thomé, que é rondonista (Operação  Nacional Amazônia 2006) relatará o Projeto Rondon, reestruturado e coordenado desde 2005 pelo Ministério da Defesa, sugerindo-o como modelo de extensão para professores e estudantes de universidades dos demais países das Américas Central e do Sul.

“Será uma honra mostrar as experiências das operações do Projeto Rondon em Cuba, em nome da UNIPLAC, neste importante evento internacional, que reunirá mais de três mil universitários”, disse o professor, acreditando que a participação da universidade lageana alargará a abertura de horizontes de integrações nacionais e muito contribuirá para o desenvolvimento sustentável dos nossos povos.

Sob os auspícios da UNESCO, o 8º Universidad 2012, com cinco dias de trabalhos, terá como tema principal “A responsabilidade das universidades e seu papel no desenvolvimento sustentável, o diálogo intercultural e a construção de uma cultura de paz”, reafirmação da responsabilidade da Educação Superior com a sociedade seu tempo, ao propiciar um âmbito para a reflexão o e o debate, orientado a valorizar a contribuição das universidades de todo o mundo a este desenvolvimento.

Entre os dias 28 e 30 de novembro, o Programa de Mestrado em Educação da Unoesc promoverá em Joaçaba o III Colóquio Internacional de Educação e o I Seminário de Pesquisa sobre Indicadores de Qualidade do Ensino Fundamental. O evento é direcionado a professores de educação superior, professores e dirigentes da educação básica, membros de equipes pedagógicas e de grupos de pesquisa, pesquisadores e acadêmicos de cursos de graduação e pós-graduação ligados à área de Educação.

A programação será desenvolvida em Joaçaba e compreenderá conferências e mesas redondas com educadores de renome nacional e internacional, apresentações de pesquisas desenvolvidas por universidades brasileiras com financiamento de agências de fomento, comunicações orais e relatos de experiências inscritos pelos autores e aceitas pela Comissão Científica do evento.

Representando o Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) de Lages, o Prof. Dr. Nilson Thomé tem agendada a apresentação de trabalho acadêmico versando sobre “Mestrado em Educação da UnC de Caçador: estudo de caso de uma experiência no Contestado”. O professor também foi convidado para coordenar os trabalhos de uma sessão científica de comunicações durante o evento.