A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou dia 24 de maio o resultado do Edital n. 051/2012 para apoio a propostas do Programa Pró-Equipamentos, voltado a Instituições Comunitárias de Ensino Superior. Ao todo, 30 instituições brasileiras foram contempladas para receber em rateio R$ 10 milhões.

Nenhuma das universidades privadas de Santa Catarina vinculadas à Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) pode ser beneficiada com estes recursos públicos federais da Capes, oferecidos através do edital, por não serem cadastradas como “comunitárias” pelo Governo Federal. Foi o que aconteceu agora com a Unoesc (de Joaçaba), a Uniplac (de Lages), a Unochapecó (de Chapecó), a Unisul (de Tubarão), a UnC (de Mafra) e a Univille (de Joinville), por exemplo, que, mesmo tendo cursos de mestrados avaliados pela Capes, continuam apresentando-se como “públicas-comunitárias” e se mantêm vinculadas ao Sistema Estadual de Ensino, ao invés de assumirem serem “privadas-comunitárias” e transferirem a subordinação ao Sistema Federal de Ensino, como determina a legislação brasileira e como já definiu o Supremo Tribunal Federal.
Já as universidades de outros Estados, que migraram para o Sistema Federal e se cadastraram no e-MEC como privadas-comunitárias (da forma como estabelece a LDBN e o STF), foram contempladas e estarão recebendo os recursos para atender a necessidade de equipamentos de uso compartilhado na pesquisa científica e tecnológica em todas as áreas do conhecimento, observadas as disposições do Programa Nacional de Apoio ao Ensino e à Pesquisa em Áreas Estratégicas – Capes-Pronap. É o caso, por exemplo, da Upf (Passo Fundo), Ulbra (Canoas), Uri (de Erechim), Puc (de Curitiba), Unisinos (de São Leopoldo), Uniso (de Sorocaba) a Ucs (de Caxias do Sul), entre outras, que se beneficiarão dos disponibilizados dez milhões de reais. Teve algumas que ganharam 300 mil, 400 mil.
Para o Ministério da Educação, são consideradas “públicas” as instituições educacionais criadas, mantidas e administradas pelos poderes públicos, sendo que as outras instituições, mesmo criadas pelos poderes públicos mas mantidas e administradas pela iniciativa privada, não são públicas, e se subdividem em confessionais, filantrópicas, comunitárias e particulares; esse caso – privadas-comunitárias – é o caso das universidades catarinenses associadas a Acafe, pois foram criadas por prefeituras, mas não são mantidas e nem administradas por elas.

Segundo a legislação vigente no Brasil, vinculam-se ao Sistema Federal de Ensino as instituições federais e todas as privadas em funcionamento no País (o que inclui as catarinenses privadas filiadas a Acafe). O MEC já fez duas chamadas públicas – em 2011 e em 2012 – para que as universidades catarinenses desvinculem-se do Sistema Estadual e migrem para o Sistema Federal de Ensino, mas, até agora, somente a Unesc (de Criciúma) e a Univali (de Itajaí) solicitaram a mudança de cadastro e no próximo ano poderão se candidatar aos editais. Enquanto não se definir essa situação jurídica, tudo indica que a Capes manterá a posição de não aceitar a participação das universidades catarinenses em seus editais específicos de distribuição de verbas para as comunitárias.erbas para as comunitárias.

 

Nilson Thomé, historiador

Texto primeiro de “O Velho Caçador – Resumo Histórico da Formação do Município de Caçador até 1950”, elaborado por Nilson Thomé e editado em 1993 pela Prefeitura Municipal de Caçador, em suplemento jornalístico do jornal “A Imprensa”. Cópia do original de linotipia, realizada 20 anos depois, em 2013, no 79º aniversário do Município.

O Município de Caçador completa 59 anos de vida independente, mas isto não significa que este é o seu período histórico. A ocupação humana no Alto Vale do Rio do Peixe tem mais de 110 anos, desde quando a região era tida como território contestado, um espaço livre com domínio e administração reivindicado por Santa Catarina e pelo Estado ó Paraná.

Todas as cidades ao longo do Vale do Rio do Peixe nasceram depois de 1910, planejadas pela Cia. Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande como pontos de colonização. Caçador, ao contrário, não estava nos mapas e nem nos planos da ferrovia; surgiu circunstancialmente, com sementes lançadas por um velho caboclo, habitante do lugar, à revelia das intenções dos gabinetes.

Nos atuais trabalhos de pesquisa que objetivam o resgate da memória do "Homem do Contestado", para se chegar à identidade do "Homem do Oeste Catarinense", resgata-se paralelamente a trajetória histórica de cada um dos grupos humanos que desbravaram os sertões do Contestado, incluindo as terras caçadorenses.

Este trabalho resume a saga dos pioneiros de Caçador, desde quando o desbravador passou a disputar o chão com o índio até chegar a meados dos anos 50, quando, pelo nosso entendimento, a multiplicidade dos fatos exige estudos mais amplos e detalhados.

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Os antecedentes históricos conhecidos de Caçador tem por marco a chegada a estas terras de Francisco Correa de Mello, que veio a disputar espaço com as tribos de índios Kaigang e Xokleng, únicos habitantes do lugar, descendentes de civilizações primitivas das tradições pré-ceramistas e ceramistas Umbú, Humaitá e Taquara, que dominavam o território desde cerca de há dez mil anos atrás, e para os quais o nosso Rio do Peixe era chamado de "Goio-Xim".

Francisco Correa de Mello nasceu em 1816, na localidade de Lagoa das Almas, em Campo do Tenente, Paraná, região que à época pertencia à Província de São Paulo. Quando ainda jovem, por problemas particulares, obrigou-se a deixar a terra natal, acompanhando seus onze irmãos na descida para os já então promissores campos de Lages, seguindo o antigo caminho de tropeiros que ligava São Paulo aos campos gaúchos.

Naqueles tempos, ainda não existia a Província do Paraná (criada em 1853) e os campos de Lages eram reclamados pela Província de Santa Catarina, que os queria de São Paulo, esta quem, na época, promovia o desbravamento do sertão sul-brasileiro, com as frentes pioneiras de Guarapuava, Palmas e União da Vitória, e de Lages, Curitibanos e Campos Novos, e ainda com as primeiras frentes colonizadoras de imigrantes na Lapa e em Rio Negro.

A numerosa família Correa de Mello escolheu a região de Campos Novos para se fixar, requerendo sesmaria da Fazenda Velha do Espinilho (atualmente no município de Monte Carlo). Ali, Francisco Correa de Mello casou com Dna. Felicidade Maria Gonçalves, testemunhando a criação do Distrito de Campos Novos em 1851 pelo Município de Lages; assistiu a anexação desse distrito em 1873 ao Município de Curitibanos. E, em 1879, com a escolha do Rio do Peixe para limite provisório entre as províncias do Paraná e Santa Catarina, sentiu-se atraído pelas terras virgens mais ao Norte.

O casal Francisco e Felicidade já havia constituído sua própria família,  que se compunha de 12 filhos, quando no ano de 1881, na criação do Município de Campos Novos, desmembrado de Curitibanos, foi incentivado a se estabelecer na região setentrional da nova unidade municipalista, para consolidar a posse dessas terras para Campos Novos.

Com alguns irmãos, cunhados e filhos, o ousado homem saiu de Campos Novos, adentrou no Vale do Rio do Peixe, e pela sua margem esquerda subiu rumo às nascentes, procurando um lugar que lhe agradasse. Foi assim que, um dia a expedição exploratória chegou a um local de elevações mais suaves, coberto de pinheiros, com caça abundante, solo fértil, peixe à vontade, e muito pinhão, alimento natural para a criação livre de suínos. Extasiado pela exuberância da maior cachoeira que viu no Rio do Peixe, nas proximidades da qual em poucos dias caçou dezenas de antas, veados e porcos-do-mato, proclamou que aquele seria o seu lugar. uma vez que não poderia ir mais adiante, pois estaria ingressando em terras que eram administradas pela província do Paraná.

Do acampamento provisório no salto, que mais tarde chamaria de Salto Bom Sucesso, Francisco Correa de Mello escolheu o local para a futura morada. Ali deixou um de seus irmãos e os filhos que o acompanharam. De um pinheiro fez uma canoa, e desceu o Rio do Peixe de volta a Campos Novos, para buscar o restante da família. Nesta viagem, denominou dois pequenos rios, afluentes do Rio do Peixe: o Rio Veado e o Rio das Antas; mais adiante, denominou o Rio das Pedras, e em cada foz deixou um dos seus parentes.

Em Campos Novos, segundo as leis do Império, requereu a posse das terras, às quais deu o nome de Fazenda Faxinal do Bom Sucesso. De regresso, com o resto da família e outros parentes, construiu a primeira casa. A Fazenda implantou-se como propriedade de cultura, onde se vivia da caça, da pesca, do plantio de cereais, da criação de gado, suínos, galinhas, soltos nos pinhais.

Nesta mesma época, as terras da outra margem do Rio do Peixe, na altura dos campos de São João (hoje Matos Costa) e São Roque (hoje Calmon), já estavam sendo ocupadas pela também numerosa família Carneiro, que incentivada pela Província do Paraná, através doa municípios de União da Vitória e de Palmas, implantava suas raízes na Fazenda Campina, na Fazenda Cachoeira e na Fazenda Rio do Peixe. No final do século passado, os Carneiro deram abrigo a diversas famílias de imigrantes, egressas das frentes pioneiras da colonização alemã do Paraná, com as quais logo se mesclaram.

Em abril de 1894, depois dos episódios do "cerco da Lapa", a família pioneira assistiu a passagem por suas terras de uma das colunas do líder da Revolução Federalista, Gumercindo Saraiva, que se retirava para o Rio Grande do Sul. Tanto os "maragatos" como os "pica-paus" causaram grandes estragos na região com o deslocamento de numerosas tropas federalistas e republicanas, que não só saqueavam fazendas como não exitavam em liquidar adversários pela degola ou fuzilamentos sumários.

De 1907 a 1910, a família Corre a assistiu os trabalhos de construção da estrada de ferro, que com sua permissão atravessava em paz as terras da fazenda. A exemplo da família Carneiro, não permitiu que a companhia ferroviária se apossasse do seu quinhão, mantendo os direitos de propriedade. Foi com orgulho que o velho Francisco, já de cabelos e barbas brancas, viu a passagem do primeiro trem em 1910, e comoveu-se com a denominação de Rio Caçador à estação ferroviária, pois ele era o "Caçador" que fazia as esperas de caça do pequeno riacho, afluente do Rio do Peixe que se constituía em divisa natural com as terras da família Carneiro.

Caboclos rudes e valentes, nativos, os Correa receberam o primeiro "estrangeiro", o alemão Guilherme Gaertner, que se estabeleceu com armazém no quadro da estação ferroviária em 1911, seguido de Nicola Codagnone. Aliás, a concessão original para explorar comércio na estação era do italiano, então residente em União da Vitória, que a repassou para Gaertner, descendente de germânicos.

A família dos Correa sofreu o primeiro revés nestas terras em 1914. Discordando do fanatismo, e não querendo se envolver com os sertanejos revoltosos na Guerra do Contestado, tiveram suas casas incendiadas. Decididos, passaram a apoiar as forças militares até meados de 1915, quando terminaram os combates aqui, e só então reconstruíram suas moradias. Francisco permitiu que nas proximidades da estação ferroviária o Exército Brasileiro montasse acampamento e construísse um campo de aviação.

Homologado o Acordo de Limites entre Paraná e Santa Catarina, a 25 de agosto de 1917, Santa Catarina criou simultaneamente quatro municípios, para ocupar definitivamente o Espaço Livre do Contestado: Mafra (desmembrado de Rio Negro), Porto União (desmembrado de União da Vitória), Cruzeiro (que depois mudou o nome para Joaçaba) e Chapecó, mantendo os municípios de Curitibanos, Campos Novos e Lages. Na ocasião, foi extinto Itaiópolis

Por Resolução de 1917 da administração catarinense, neste primeiro momento criaram-se no Município de Porto União, os distritos de Porto União, (sede), São João dos Pobres (hoje Matos Costa) e Vila Nova do Timbó, extinguindo-se os distritos de Taquara Verde e de Nova Galícia, herdados do Paraná.

A partir de 1919, empresas colonizadoras da estrada de ferro começaram o processo de colonização das terras marginais à ferrovia, no outro lado do Rio do Peixe. Os Correa assistiram a chegada dos novos vizinhos: Pedro Addel e Martinho Trindade. Os primeiros colonos, descentes de imigrantes italianos: Maximiliano Zampronio, Silvio Hurso, Zilio Scolaro, João Palermo, Domingos Sorgatto, Bortolon, e a numerosa família Bazzeggio. Com o novo povo chegando, Francisco Correa de Mello permitiu a instalação em suas terras, nas proximidades da estação ferroviária de Virgilio Formighieri, Carlos Sperança, Gabriel Dias, Miguel Cury, João Zortea, e outros. Em função disso, gradativamente, os integrantes da família Carneiro também se aproximaram, chegando primeiro: Ferminiano Lima, Osório Carneiro, Genésio Costa, Gumercindo Carneiro, Osório, de Paula Timmermann, Juvenal Fagundes, Luiz Tortatto e José Gioppo.

No ano de 1920, o velho Francisco chorou a morte de sua querida esposa Felicidade. Então, atendendo aos clamor dos novos moradores do lugar, fez a partilha de suas terras distribuindo-as em quinhões, aos filhos, permitindo-lhes que as revendessem aos recém-chegados. Francisco sonhou com uma cidade. Contratou para a medição das partes, dois topógrafos, Victor Kurudz e Francisco Busato, reservando meia-quarta de terra no centro da sua imaginação, para a edificação de uma igreja, como lhe havia pedido anos antes Frei Rogério.

Já em 1922 caíam os pinheiros para dar lugar às novas casas de madeira, formando-se o lugarejo denominado Rio Caçador, que recebia a primeira escola, a de Marcírio da Cruz Maia, e muitos novos moradores. No outro lado do Rio do Peixe, crescia também a Vila Caçador (esta depois denominada de Santelmo), implantada pela estrada de ferro.

Na margem esquerda do Rio do Peixe em 1923, o Município de Campos Novos criou o Distrito de Rio Caçador, desmembrado do Distrito de Rio das Antas. Em 1932, o Distrito de Rio Caçador passou para o Município de Curitibanos, enquanto que o de Rio das Antas continuou a ser de Campos Novos.

Em 1923, o Município de Porto União voltou a criar o Distrito de Taquara Verde e, em 1928, criou o Distrito de Santelmo, separado do Distrito de Rio Caçador apenas pelo Rio do Peixe, na outra margem.

Caçador recebeu nova frente a ocupação a partir de 1923, quando a empresa colonizadora Irmãos Coelho de Souza recebeu do Estado de Santa Catarina uma gleba de 9 mil alqueires na Serra da Taquara Verde, em pagamento pelos trabalhos de construção da rodovia que ligou Lages ao Rio Canoas (primitivo traçado da BR-282). Taquara Verde era distrito de Porto União, mas os irmãos Coelho de Souza iniciaram a colonização a partir de Videira, e só mais tarde construiriam a estrada de rodagem ligando Taquara Verde a Caçador, com o que foi inevitável a anexação de Taquara Verde a Caçador em 1934. Nesta serra, os novos colonos vizinharam com outra grande família, liderada por Thomaz Gonçalves Padilha, que já ocupava a Fazenda Torres em milhares de alqueires, e que era ligada por laços íntimos aos Correa.

Em outubro de 1930, a população concentrou-se na Estação Ferroviária para saudar a caravana vitoriosa de Getúlio Vargas, que de trem subia do Rio Grande do Sul para São Paulo. Vargas seria o segundo presidente da República a estar em Caçador, pois este chão recebeu, a 3 de abril de 1909, Affonso Penna, que veio pessoalmente inaugurar a estação ferroviária no Taquaral Liso, a que recebei o nome de Presidente Pena, a poucos quilômetros da estação de Rio Caçador, hoje na divisa com Calmon.

A comunidade se formava. Os colonos plantavam neste chão fértil. As serrarias se avolumaram. A cidade nascia. E Francisco acompanhava tudo com interesse. Suas antigas terras já estavam cortadas por ruas e divididas em quadras. E nascia o movimento popular que tinha a intenção de formar o novo Município, de tornar este torrão independente, para seguir seu próprio caminho, o que veio acontecer em 25 de Março de 1934.

A História de uma sociedade se constrói a partir dos marcos referenciais da sua evolução, sem o esquecimento das atividades paralelas. O período de 1928 a 1934 assinala momentos de grandes realizações, como: a construção da primeira usina hidrelétrica por Attilio Faoro, servindo a vila com iluminação elétrica; a abertura da estrada de rodagem Caçador-Lebon Régis-Curitibanos com o esforço das famílias Paganelli e Vivan; a fundação do Clube 7 de Setembro, do Grêmio das Margaridas, da Associação Agrícola de Caçador; a descoberta de petróleo na Taquara Verde pelos irmãos Coelho de Souza; a criação da Paróquia de São Francisco de Assis, integrante da Diocese de Lages; a criação da Comarca Judiciária de Caçador.

Mas, Francisco Correa de Mello não viu a festa da independência da sua cidade. Velho, cansado, doente, faleceu em 1933, aos 117 anos de idade, deixando sua estirpe de 12 filhos, 96 netos, mais de 300 bisnetos, e que no final do século XX reunia mais de 5 mil pessoas, então quase dez por cento de toda a população caçadorense.

O mesmo Rio do Peixe, que ao longo do vale dividiu povos irmãos, como em Joaçaba/Herval d'Oeste, Capinzal/ Ouro, Piratuba/Ipira, aqui, ao contrário, uniu as duas comunidades através de uma ponte de madeira construída por Pedro Bortolon em 1928: a de Rio Caçador, na margem esquerda, e a de Vila Caçador, na margem direita.

Até 1954, as terras hoje pertencentes a Caçador eram administradas pelos municípios de Porto União, Curitibanos, Campos Novos e Cruzeiro (hoje Joaçaba), cada um com seu quinhão.

Pelo Decreto Estadual 508, de 22 de fevereiro de 1934, foi criado o Município de Caçador, formado pelos distritos de Santelmo, Taquara Verde e parte de São João dos Pobres (região de Adolfo Konder), todos de Porto União; pelo Distrito de Rio Caçador, de Curitibanos; pelo Distrito de Rio das Antas, de Campos Novos; pelo Distrito de São Bento (região de Macieira), de Cruzeiro.

O novo Município ficou então formado e dividido em três distritos: o de Caçador (Sede), com a união de Santelmo e Rio Caçador, e mais a parte de São João dos Pobres; o de Taquara Verde, e o de Rio das Antas (ao qual pertencia na época o atual Município de Videira, incluindo Iomerê).

Pela falta de registros mais precisos, pode-se cometer injustiças com muitos pioneiros do lugar, que sob a liderança de Leônidas Coelho de Souza, envolveram-se direta e indiretamente no movimento pró-emancipação da comunidade. Entretanto, se pelo esquecimento alguns não são lembrados, há nomes que deixaram registradas suas marcas. Além dos já citados, dentre as numerosas famílias de descendentes de imigrantes, oriundas do Rio Grande do Sul e do Paraná, encontramos nas vilas Caçador e Rio Caçador: Abdalla, Assef, Thomé, Farfud, Savóia, Webber, Lana, Novack, Gutoski, Bedin, Roveda, Corbelini, Chrisanto, Schmidt, Timm, Dreyer, Cavazotta, Padjara, Zarur, Müller, Stveteran, Bervanger, Bento, Ciffro, Pressanto, Castelli, Deboni, Zanoni, Madalosso, Thomasi, Tesser, Bleichvel, Martelli, Gazziero, Motta, Boff, Calza, Edder, Weiss, Strobach, Badotti, Sartori, Marcari, Sinhori, Krieger, Capellari, Wordell, Anjos, Lieber, Hoffmann, Liszewki, Bressiani, Zanotti, Bertotto, Visloski, Balena, Kleist, Socha, Favarin, Chiminassi, Castanheira, Werle, Salvador, Henne, Reichmann, Binder, Bendlin, Röecker, Orso, Veronezi, Bernardelle, De Paris, Klaumann, Haro, Zanatta, Schubert, Insberg, Beckert, Cury, Haymussi, Coelho, Santi, Pedrosa, Ratier, Zorzi, Fontana, Mendes, Picolli, Weizmann, Kraus, Conci, Burgard, Mattos, Santin, Dreyer, Bello, Strobach, Gomez, Escker, Bernardelle, Farh, Paezkowski, Jurkevytih, Criminácio, Buchsteiner, Liswizki, Bueno dos Reis, Zanki, Brusco, Figueroa, Lessing, Weigert, Damo, Lins, Garcia, Ribas, Justus, Dalla Lana, Grazziottin, Barichello, Moreira, Abrahão, Martinez, Campello, Zandavalli, Benetti, Dacol, Raizel, Muncinelli, Varella, Honaiser, Magalhães, Schimitt, Vierkon, Balvedi, Godinho, Joaquim, Francio, Coelho e Cachoeira, todas estas com chegada a Caçador, seguramente, antes de 1934.

Mais ligadas aos fazendeiros e aos caboclos da região, deixaram importantes registros neste tempo inicial, anterior a 1934, as seguintes famílias (além das já citadas): Lara, Almeida, Nascimento, Driessen, Alves, Moraes, Rocha, Thibes, Ribeiro, Cordeiro, Carlim, Sampaio, Pereira, Proença, Paes, Granemann. Castilho, Godoy, Araújo, Gomes, Freitas, Rosa, Stephanes, Rauen, Leite, Pontes, Oliveira, Borges, Collaço, da Luz, Santos, Fernandes, Silva, Rodrigues, Lima, Cruz, Teixeira, Prado, Chagas, de Jesus, Duarte, Ferreira, Castilho, Palhano, Mera, Santanna, Xavier, Coutinho, Pinheiro, Medeiros, Assumpção, Fonseca, de Paula, Bernardo, Albuquerque, Conceição, Antunes, Vieira, Lemos, Mattos, Abreu, Queiroz, Nunes.

Com a emancipação do Município, o progresso explodiu em todos os campos: em apenas dois anos o povoado triplicou de tamanho, e logo estava ligado por estradas com Curitibanos, Porto União e Videira. Surgia assim, entre as colinas um novo polo microrregional. Com a implantação em 1928 do Ginásio Aurora, na década ele 30 Caçador se firmou como centro geo-educacional do Oeste, na saga dos educadores Dante e Albina Mosconi.

Antes de ser criado o Ginásio Aurora, em 1928, Albina Mosconi já dirigida uma pequena escola, que depois passou para Apolonia Capitulina Milis. Ali no Santelmo, em 1929 era criado o Tiro de Guerra nº 568 (que em 1946 transformou-se em Tiro de Guerra nº 172), um primeiro grupo de escoteiros, um Curso Comercial (para formar "guarda-livros") e uma Escola Normal. Era o impulso para a criação, em 1934, da primeira escola pública, o Grupo Escolar Prof. Paulo Schieffler, e para o abrigo às catequistas da Congregação das Irmãs de São José, que em 1936 fundaram o Colégio Nossa Senhora Aparecida.

No decurso das décadas de 1930 e 40 a comunidade viveu o progresso do ciclo da madeira que se iniciava, atraindo famílias à nova cidade em ritmo contínuo e crescente, com o que mais marcos referenciais marcaram a evolução, merecendo registro, entre outros: a fundação da Associação das Damas de Caridade em 1936; as instalações dos hospitais São Luiz (1935), São Francisco (1938) e São José (1942), que funcionaram até 1957; a fundação do Hospital de Caridade e Maternidade Jonas Ramos em 1944 e sua inauguração em 1951; a chegada de Primo Tedesco e seu pioneirismo na fabricação de papel e no reflorestamento; a associação da família Faoro e Primo Tedesco para o fornecimento de força e luz a partir de 1942 à toda cidade; a instalação do Cinema Apolo; a implantação do Campo Experimental de Trigo; a  fundação da Associação Comercial e Industrial de Caçador (1941), a construção da nova estação ferroviária, em substituição à primitiva destruída por incêndio.

Albino Deboni lança seu livro "Brancas Nuvens" (1946), João Batista Sanches lança "O Poeta do Povo" (1947) e Victor Peluso Júnior contribuiu com o "Dicionário Corográfico de Caçador" (1947). Era fundado o Rotary Club; construíram-se mais pontes sobre o Rio do Peixe; criou-se a agência postal-telefônica, o Posto de Puericultura, a Biblioteca Pública Municipal, o aeroclube; construiu-se a cadeia pública, o estádio de futebol; abriram-se melhores estradas para o interior. Era o tempo do Banco da Ind. e Com., do Banco INCO e do Meridional da Produção. Fundaram-se: a Rádio Caçanjurê, o Clube 1° de Maio, o jornal A Imprensa de Cid Gonzaga.

Somando-se às décadas anteriores, o ingresso nos anos 50 foi de igual desenvolvimento. Novas famílias já haviam chegado antes a estas plagas, destacando-se na indústria e no comércio, como: Maffessoni. Berardi, Granzotto, Thomé, Poletto, Adami, Pedrassani, Hahn, Marini, Haymussi, Fezer, Amorim, Fleck, Biasi, Binotto, Caramori, Lührs, Zardo, Veronezi, Zanchettin, Staskowian, Velasques, Ramos, Natter, Salamoni, Schneider, Graeff, Schultz, Heck, Sabedot, Chiarello, Pierdoná, Coldebella, Caron, Casagrande, Bordignon, Comazzetto, Basso, Baú, Freiberger, Fontana, Poppia, Grando, Fabiani, Berger, Christ, D'Agostini, Buscaron, Canalli, Petry, Peretto, Rossetti, Guzella, Gemelli, Pivatto, Potrick, Olsen, Matias, Menta, Machado, Lebelein, Linhares, Hartmann, Forestti, Natter, Dalbosco, Figueiredo, Bizinella, Ceccato, Dalazém, Costenaro, Dupont, Groth, Tartarotti, Coscodai, Elmessane, Dalmédico, Buba, Marins, Mandelli, Paupitz, Filipon, Pavelski, Pegoraro, Picoli, Piccinini, Moro, Menegazzo, Reginatto, Menzel, Dourado, Kimak, Soletti, Rotta, Zupan, Perin, De Carli, Vicentin, Kirschner, Spuldaro, Dalcanalle. Machiavelli, Colla, Werle, Petrikowski, Telöken, Moschetta, Leão, Haudsch, Te1k, Fagherassi, Ferroni, Ros, Xavier, Cassol, Mingotti, Morona. Lopes, Riedi, Gaviolli, Lazari, Crestani. Bortolini, Martello, Neves, Kurtz, Zini, Reinehr, Rossetti, Fauth, Zandavalli, Bressan, Zart, Rupp, Braga, Sperotto, Tombini, Borghetti, Côas, Dalmas, Bolson, Giacomazzi, Kool, Pigozzi - estas nominadas entre centenas de outras que de 1930 a 1950 também ajudaram a implantar o progresso, liderando empreendimentos. Outros sobrenomes hão de aparecer.

Os novos habitantes, na maioria descendentes de imigrantes alemães, italianos, poloneses, e árabes, desenvolviam os mais diversos ramos de atividades, ligados à indústria, ao comércio, à prestação de serviços e à agricultura, mas sempre tendo por base a exploração madeireira, pinho e imbuia que cobriam todo o território, que veio a constituir a maior fonte de riqueza da comunidade, a ponto de em 1948 Caçador ser declarado "o maior exportador de pinho da América do Sul", tal a quantidade de madeira produzida.

Na década de 30, para melhor administrar seu território, o Município de Caçador criou novos distritos: o de Vitória (parte do hoje Município de Videira), o de Rio Preto (depois chamado Princesa Isabel e hoje Distrito de Ipoméia, pertencente a Rio das Antas), e o de São Luiz (depois Iomerê, demembrado de Videira).

Em 1943 foi criado o Município de Videira, ao Sul, e Caçador cedeu-lhe o Distrito de Vitória e de São Luiz. Em 1948, Videira arrebanhou o Distrito de Rio Preto, que lhe foi anexado; todavia, este distrito voltou a pertencer a Caçador em 1955. Em 1958 foi criado o Município de Rio das Antas, quando Caçador perdeu então o seu Distrito de Rio das Antas, e mais o Distrito de Ipoméia (ou Rio Preto). Antes de perder os distritos de Rio das Antas e de Ipoméia o Município de Caçador criou um novo Distrito: o de Macieira, em 1953, e entrou na década de 60 com três distritos: Caçador (Sede), Taquara Verde e Macieira, que constituíram a divisão administrativa até 1993, quando Macieira se emancipou.

O dinamismo da gente caçadorense fez com que se desenvolvessem também novas atividades na comunidade, ampliando as lides fabris nos ramos mecânico, metalúrgico, coureiro-calçadista, papel-papelão, alimentos derivados e beneficiados de madeira.

Dos anos 20 até esta década, somaram milhares as pessoas que imigraram de diversas áreas do Sul do País, estabelecendo-se em Caçador. Com o constante desenvolvimento, o centro das atenções não era mais os Correa, os Padilha, os Carneiro e suas clãs pioneiras, mas sim. braço-forte habitante do lugar, brioso homem trabalhador, do empilhador de tábuas ao rico capitão da indústria, que, juntos, solidificariam Caçador como "Capital Industrial do Oeste Catarinense".

A partir de 1950 multiplicaram-se os marcos referenciais do desenvolvimento social, político, econômico e cultural da comunidade, com o que Caçador ingressou na era mais contemporânea da sua história. Os registros das etapas vencidas e das realizações merecem estudo à parte para a valorização dos detalhes. A pesquisa e revelação do passado mais recente constitui-se, assim, num novo e gratificante desafio.

Para nós, caçadorenses de 1993, setenta anos depois da criação da vila de Rio Caçador [1923], fica a alegria de ainda desfrutarmos o convívio de grande número de desbravadores, que, com seus descendentes, aqui permanecem para ilustrar os fatos do passado, como testemunhas-vivas de um tempo que, para os pioneiros, continua sendo presente.

Caçador, 25 de março de 1993.

 

Crônica:

Leônidas Coelho de Souza – O primeiro Prefeito de Caçador

Nilson Thomé, historiador

Engenheiro Agrônomo. Vereador em Montenegro (RS), Vereador em Chapecó (SC), Prefeito Municipal em Caçador (SC), em Bom Jesus (RS) e em Marcelino Ramos (RS). Interventor em Joaçaba (SC). Deputado Estadual em Santa Catarina. Coronel da Guarda Nacional e Chefe de Estado Maior de Batalhão do Exército. Revolucionário Getulista. Construtor de estradas e colonizador de terras no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Em, 1934 ele liderou o movimento pró criação do Município de Caçador, no Centro-Oeste do Estado de Santa Catarina, do qual veio a ser seu primeiro Prefeito. Ainda hoje – 79 anos depois – seu nome não é lembrado pelas autoridades deste Município, sequer na denominação de um logradouro público (praça, largo, ponte, rua, prédio, avenida, parque, etc). Este, um resumo do curriculum vitae de 87 anos da folha de serviços prestados por um cidadão ao Sul do Brasil, inexplicavelmente ignorado na terra que construiu.

 

Leônidas Coelho de Souza

O cidadão Leônidas Coelho de Souza nasceu em São João do Montenegro (RS) a 18 de junho de 1889. Terceiro filho de Albano Coelho de Souza e de Idalina Brochier Coelho de Souza, cursou as Primeiras Letras em Montenegro. Antes de completar 18 anos, trabalhou na Estrada de Ferro Montenegro-Caxias do Sul, de dezembro de 1905 a 31 de janeiro de 1910, quando embarcou para Piracicaba, para estudar agronomia.

Formou-se em Engenharia Agronômica na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, no Estado de São Paulo, em 8 de novembro de 1912, após o que retornou ao Rio Grande do Sul. Com seu pai, Leônidas trabalhou na Estrada de Ferro São Pedro do Sul-São Borja, na construção do Ramal Dilhermando de Assis-São Borja, de dezembro de 1912 a 28 de fevereiro de 1915. Neste tempo, integrou o 34º Batalhão da Reserva da Guarda Nacional, da Comarca de Caxias do Sul, como Tenente-Secretário. Também trabalhou na Estrada de Ferro Jacuhy, de junho de 1917 a março de 1919. Com o pai e irmãos, integrou a Empresa Irmãos Coelho de Souza Ltda., por eles fundada no ano de 1919 em São Jerônimo.

Em outubro de 1919, com amigos, o agrônomo Leônidas Coelho de Souza empreitou a construção da estrada de rodagem em Santa Catarina, em Campos Novos, entre Erval Velho e o Rio Canoas (hoje, trecho da BR-282), com 81 km de extensão, cuja obra foi concluída em janeiro de 1923. Leônidas retornou ao Rio Grande do Sul, onde, iniciando-se nas atividades político-partidárias, no dia 9 de julho de 1924, com 1.471 votos, foi eleito Vereador, membro titular do Conselho Municipal de São João do Montenegro.

A 23 de maio de 1925, em Porto Alegre, participou do corpo acionário da Cia. Territorial Sul Brasil, empreendimento este que em seguida foi transformado em sociedade anônima. A Companhia Territorial Sul Brasil S/A, como nova empresa construtora e colonizadora, incorporou a Empresa Construtora e Colonizadora Oeste Ltda., com as terras devolutas na região de Chapecó, que havia recebido do Estado de Santa Catarina, a partir do que a empresa passou a deter mais de um bilhão de metros quadrados de terras para colonização no Grande Oeste Catarinense, do Vale do Rio do Peixe à fronteira com a Argentina.

Com os haveres da Empresa Colonizadora Oeste Catarinense Ltda., em 1926, a família transferiu a empresa Construtora e Colonizadora Irmãos Coelho de Souza Ltda., estabelecendo-a em Rio Caçador, então nova moradia de Leônidas Coelho de Souza, em companhia da esposa, Dona Helena e filhos, e também dos irmãos Carlos Augusto, Solon, e Licurgo e duas irmãs, com os cunhados José Garibaldi da Rocha Timm e Artur Dreyer. Seis anos mais tarde, entre 1932 e 1933, aportam em Caçador mais dois irmãos: Djalma e Herculano, juntamente com mais três irmãs e os cunhados João Francisco Batista, João Cândido Batista e Antonio Batista.

Em 1926, Leônidas Coelho de Souza foi eleito Vereador no Município de Chapecó, sendo Vice-Presidente da Câmara, cargo que desempenhou durante o ano de 1927, enquanto ali atuou como colonizador de terras. Por volta de 1928, estava de retorno a Rio Caçador, onde foi um dos propugnadores pela instalação de um Tiro de Guerra e do Ginásio Aurora, o primeiro do Oeste Catarinense neste nível de ensino, do qual veio a ser Inspetor Escolar durante dois anos. Em 1928, foi designado pelo município de Cruzeiro (Joaçaba) para organizar o quadro urbano da sede distrital da Vila Caçador, quando então abriu os trabalhos pró-emancipação do futuro Município de Caçador. Em Cruzeiro, trabalhou como Secretário Municipal e, interinamente, foi seu Interventor Municipal (Prefeito, na época) em julho e em dezembro de 1932.

A empresa, organizada pela família, dedicada à abertura de estradas e colonizadora de terras, abriu a estrada pioneira de Caçador a Palmas, via Taquara Verde, o trecho da Estrada Estratégica Matos Costa-Palmas, via General Carneiro, e trechos de estradas entre Joaçaba e Lages (atual BR 282). Neste tempo, os irmãos colonizaram 21 mil alqueires de terras, em Santa Catarina e no Paraná, propriedades havidas do Estado em pagamento pela construção de diversas estradas, logo se revelando grandes empreendedores.

Em 1930, Leônidas Coelho de Souza estava em São João, atual cidade de Matos Costa (SC), abrindo estrada interestadual (Estrada Estratégica que ligaria Porto União da Vitória a Palmas), quando eclodiu a Revolução Getulista. Ali e em Caçador, com a família, rapidamente organizou os batalhões patrióticos da antiga Guarda Nacional. Na patente de Tenente Coronel, com 880 homens controlou a linha férrea, São Paulo-Rio Grande, de União da Vitória, no Rio Iguaçu, a Marcelino Ramos, no Rio Uruguai, viabilizando, em outubro, a passagem segura por Santa Catarina de Getulio Vargas até São Paulo e Rio de Janeiro.

Durante o período revolucionário-constitucionalista de 1932, agora com o posto de Coronel, Leônidas foi nomeado Chefe do Serviço de Engenharia da Coluna General João Francisco, das Forças do Exército, atuantes na área de Jacarezinho (SP). A 1º de novembro assumiu interinamente a Chefia do Estado Maior da Coluna, em substituição ao comandante efetivo, Coronel Moreira Lima. Devido à dissolução da coluna, foi dispensado a 7 de novembro de 1932.

Em 1933, liderou o movimento popular desencadeado no Alto Vale do Rio do Peixe para a criação do Município de Caçador, com a sede formada pela junção de duas vilas distritais, a Vila Rio Caçador (de Curitibanos) e a Vila Caçador, ou Santelmo (de Porto União), separadas pelo leito do Rio do Peixe. Foi o principal articular deste movimento junto às autoridades estaduais, obtendo êxito a 22 de fevereiro de 1934, quando foi publicado o decreto de criação do novo município.

Em março de 1934, foi nomeado, pelo Interventor Estadual, Coronel Aristiliano Ramos, como o primeiro Prefeito Provisório do recém-instalado Município de Caçador, ficando neste cargo até abril do ano seguinte. Entre agosto e outubro de 1934, quando da eleição de deputados federais e estaduais constituintes, o recém-criado Município de Caçador, no Alto Vale do Rio do Peixe, elegeu seu primeiro deputado estadual, Leônidas Coelho de Souza, pelo Partido Liberal, com 35.226 votos. Entretanto, não tomou posse e, com isso, Leônidas permitiria a ascensão da suplente imediata, Antonieta de Barros, representante da minoria negra na Capital, ela que viria a ser a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Poder Legislativo Catarinense, reconduzida também para a legislatura 1947-1951, na condição de suplente convocada.

Em dezembro de 1934, durante os trabalhos de construção da estrada de rodagem Caçador-Palmas, junto ao patrimônio público de Taquara Verde, os irmãos Coelho de Souza descobriram petróleo. Com a jazida registrada, promoveram várias perfurações entre 1937 e 1940 no interior da Fazenda Torres, fazendo o “ouro negro” jorrar pela primeira vez em Santa Catarina, até que o Governo Federal determinou o lacre dos poços e proibiu novas perfurações.

Merecendo tratamentos respeitosos, ora de Coronel (da Guarda Nacional), ora de Doutor (por ser formado em Agronomia), o Sr. Leônidas Coelho de Souza regressou ao Rio Grande do Sul em 1936. Atuou na Prefeitura de Erechim, na organização de Escola Agrícola, de novembro de 1936 a maio de 1937. Desgostoso com a ditadura implantada pelo Estado Novo, em 1937, com o que Getúlio Vargas confirmou Nereu Ramos na Interventoria Estadual de Santa Catarina, optou por permanecer em terras rio-grandenses, vindo a prestar serviços em Júlio de Castilhos, de agosto de 1938 a setembro de 1940. Em seguida, o Dr. Leônidas Coelho de Souza foi nomeado Diretor de Obras Públicas do Município de Montenegro, cargo que exerceu de 10 de setembro de 1940 a 8 de fevereiro de 1943.

Conforme o processo nº 6507/1943, da Secretaria do Interior, a 28 de julho de 1943, o sr. Miguel Tostes, Interventor Federal Interino do Estado do Rio Grande do Sul, nomeou o Engº Agrônomo Leônidas Coelho de Souza, como Prefeito Municipal de Bom Jesus. Ele exerceu o cargo de 11 de agosto de 1943 a 19 de maio de 1945. Nesta gestão, em 1944, ele foi o principal articulador do projeto que culminou com a criação da reserva natural, entre Bom Jesus e Cambará do Sul.

No final do Estado Novo, o Engº. Leônidas Coelho de Souza foi nomeado Prefeito Municipal de Marcelino Ramos (RS), pelo Interventor Federal, General Ernesto Dornelles, ato assinado a 21 de maio de 1945, conforme o processo nº 4459, exercendo o cargo de 8 de junho a 16 de novembro de 1945, sendo, em seguida, confirmado pelos Interventores no Estado, Dr. Samuel Figueiredo e Silva, Cylon Rosa e Walter Só Jobim, conforme o processo nº 12280, para o período de 22 de dezembro de 1945 a 5 de dezembro de 1947, assim passando pelo período da Redemocratização do País.

Com a família, voltou a Bom Jesus e, depois de residir seis meses no Rio de Janeiro, passou a atuar no Serviço Público Federal, no Ministério da Agricultura, quando, em junho de 1949, foi nomeado pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra para ser Superintendente da Colônia Agrícola Nacional General Osório – CANGO, do Ministério da Agricultura, em Marrecas (hoje município de Francisco Beltrão), no Paraná, autarquia federal, que havia sido formada em 1943 para reorganizar a colonização da gleba “Missões”, exercendo o cargo até 1952. Neste tempo, promoveu a colonização de terras também no município de Cascavel. Em seguida, trabalhou em Curitiba e em Porto Alegre, quando pleiteou chefiar o Parque Nacional do Iguaçu.

Funcionário do Ministério da Agricultura, de 1957 a 1959, voltou a trabalhar em Erechim (RS), onde foi Diretor do Posto Agro-Pecuário do Ministério da Agricultura, retomando a direção da Escola de Iniciação Agrícola (depois Escola Agrotécnica Federal), quando então, com 70 anos, recebeu aposentadoria compulsória pela idade. Voltou a Bom Jesus e em 1963 mudou-se para Vacaria, ali permanecendo até 1969, quando então fez sua última mudança, indo residir em Caxias do Sul.

Em primeiras núpcias, Leônidas Coelho de Souza casou com Helena (Neli) e teve os filhos: Luiz Albano (nascido em Santa Maria a 05/04/1916), Newton Fontoura (nascido em Santa Maria a 03/07/1917), Clinton (nascido em São Jerônimo a 10/09/1918), Bairon (nascido em São Jerônimo a 18/10/1920), Gladis (nascida em Montenegro a 24/06/1922), Percival (nascido em Santa Maria a 04/09/1925), Glower (nascido em Passo Fundo a 11/04/1928, médico, casado com Amélia e falecido em Curitiba a 19/11/2009 aos 81 anos de idade) e Marco Antonio (nascido em Caçador a 16/07/1934). Casou em segundas núpcias com Selma Castello Branco, e teve dois filhos, Carlos Augusto Coelho de Souza Sobrinho (zootecnista, nascido em Marcelino Ramos a 15/06/1946) e Maria Helena (professora, nascida em Bom Jesus a 02/09/1948). Leônidas Coelho de Souza faleceu em Caxias do Sul, onde residia, no dia 31 de janeiro de 1976, aos 87 anos de idade, vítima de enfarto do miocárdio.

A História do Município de Caçador – por nós em permanente construção – registra apenas que seu primeiro Prefeito, nomeado, “foi o Sr. Leônidas Coelho de Souza, que assumiu a 25 de março de 1934 e deixou o cargo em 1935”. A referência é assim: simplista. Quando Prefeito, Jucy Varella sancionou lei, denominando de “Leônidas Coelho de Souza” uma escola multisseriada do interior, no Distrito de Macieira, local que passou ao Município de Macieira quando emancipado de Caçador. Só em março de 1973, quando dos festejos alusivos ao 39º aniversário da emancipação política e administrativa de Caçador, na gestão de Moysés Comazzetto e Luiz Francisco Faltêncio Paganelli, por iniciativa do ex-Prefeito Jucy Varella, foi que a Câmara Municipal, em sessão especial, prestou homenagem pública ao então já octogenário Sr. Leônidas Coelho de Souza, que faleceu três anos depois.

Por omissão, a injustiça!

Nesta cidade de Caçador, em logradouros públicos nos quais já se homenagearam pessoas desconhecidas e estranhas – algumas até que nunca tiveram vínculos com essa terra e mesmo com a população caçadorense – hoje não há nenhuma menção de homenagem oficial à sua pessoa. Com o esquecimento – falta de lembrança – ainda agora, em 2013, quando Caçador completa 79 anos, inexplicavelmente o nome do não-lembrado desbravador e pioneiro Leônidas Coelho de Souza continua sendo desconhecido à nova geração de caçadorenses.

(Caçador, março de 2013)

 

Os conselhos superiores da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), com sede na cidade de Itajaí, tomaram a decisão, dia 17 de setembro, de realizar sua migração para o Sistema Federal de Ensino. Com esta atitude, a mais importante Instituição de Educação Superior do litoral norte catarinense deixa de submeter-se às normas do Conselho Estadual de Educação.

Contrariando algumas orientações advindas do âmbito da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE) e mesmo de conselheiros do CEE/SC, a UNIVALI decidiu submeter-se à decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou que todas as IES privadas (as comunitárias, as particulares, as confessionais e as filantrópicas) submetam-se ao Sistema Federal, que é controlado pelo Ministério da Educação.

Segundo o STF só podem ser consideradas públicas as IES criadas, mantidas e administradas pelos poderes públicos municipais e estaduais e estas, sim, que podem ser submissas aos sistemas estaduais. Não é o caso da UNIVALI que, apesar de ter sido criada pela Prefeitura Municipal de Itajaí, não é por ela mantida e nem administrada.

A UNIVALI é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras. Ela está presente ao longo do litoral centro-norte de Santa Catarina em Balneário Piçarras, Itajaí, Balneário Camboriú, Tijucas, Biguaçu, São José e Florianópolis. No total, a instituição oferta mais de 70 cursos de graduação presenciais e a distância, entre bacharelados, licenciaturas e tecnólogos compreendendo um universo de quase 26 mil alunos, oferecendo ensino desde a educação básica até a pós-graduação, com cursos lato sensu e stricto sensu, computando nove mestrados e cinco doutorados.

Nesse universo, atuam grupos de pesquisas e projetos de extensão, o que movimenta não só a comunidade acadêmica, mas também a população do seu entorno. Além disso, a Fundação Univali mantém o Hospital Universitário Pequeno Anjo, o Laboratório de Análise e Produção de Medicamentos, a Rádio Univali FM, a TV Univali, uma editora, e convênios com universidades em todo o mundo.

Com a adesão ao Sistema Federal de Ensino, a UNIVALI também está aderindo ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies). O programa, criado pela lei 12.688/2012, integra o Plano de Recuperação Econômica e Tributária e permite que as instituições de ensino quitem 90% de seus débitos fiscais ao Governo Federal com a concessão de bolsas de estudo, durante o período previsto de 15 anos. Com a adesão, segundo avaliação da instituição, a Univali deverá, ao longo desse período (15 anos), conceder 4,7 mil bolsas de estudos a alunos economicamente carentes,

A UNIVALI é a primeira das universidades privadas comunitárias existentes em Santa Catarina a obedecer as determinações do Supremo Tribunal Federal.

Desde a Revolução Farroupilha, o Espaço Livre do Contestado passou por diversos conflitos armados nos séculos XIX e XX, até que a partir de 1917, veio a ser considerado Território do Contestado, organizado, tendo nele presente a ação do Estado a partir da criação e instalação dos novos municípios de Mafra, Porto União, Cruzeiro e Chapecó, somando-se aos já existentes de Curitibanos, Canoinhas e Campos Novos.

A Região do Contestado foi por nós delimitada dentro do Centro-Oeste Catarinense e assim denominada, como sendo uma parte do antigo Espaço Livre e, depois, do Território, por ter sediado os combates especificamente atribuídos à Guerra do Contestado.

Até nossa particular e singular intervenção iniciada em 1972, mediante um projeto de pesquisa em História, não se falava em “Guerra do Contestado”. Esta denominação foi dada por nós, pessoalmente, para identificar o conflito maior do nosso passado histórico. Até então, dizia-se: Guerra dos Fanáticos, Campanha do Contestado, ou outras atribuições, e não se tinha limites definidos em tempo. Da mesma forma, fomos nós que inserimos em 1972 a referência de “Região do Contestado” para este nosso espaço geográfico. Estas denominações foram oficializadas em 1974, quando da criação do “Museu Histórico e Antropológico da Região do Contestado”, pela FEARPE, em Caçador.

Cronologia

Dentre os eventos bélicos considerados como fatos históricos determinantes, na História do Contestado encontramos aqui, então, pelo menos treze (13) que foram importantes na História da formação do Homem do Contestado.

Em primeiro lugar, temos a revolta dos farrapos, que legou-nos entre 1838 e 1840 como herança os momentos de fundação da República Catarinense, em Lages, e o célebre combate entre farrapos e legalistas no Capão da Mortandade da Fazenda Forquilha, próximo ao Rio Marombas, na divisa entre Curitibanos e Campos Novos, a partir do que não poucos ex-combatentes se fixaram na nossa região a partir de 1840.

Adiante no tempo, observamos que muitos homens deste espaço foram ao Paraguai para lutar na Guerra da Tríplice Aliança, integrando vários batalhões da Guarda Nacional e dos Voluntários da Pátria. Os combates de 1866 não foram na Região do Contestado, mas o episódio é considerado interligado, pois envolveu nossos habitantes, ainda que em lutas fratricidas longe daqui, que regressaram.

O terceiro evento bélico de envergadura foi a Revolução Federalista, quando por aqui, entre 1893 e 1894, transitaram as forças maragatas revoltosas dos estanceiros Gumercindo e Aparício Saraiva e as colunas dos pica-paus legalistas republicanos, pois que, ao final, muitos foram os ex-combatentes que se refugiaram neste nosso espaço para fugir das degolas e aqui se estabeleceram com suas famílias.

Adentrando no século XX, no setor setentrional da Região do Contestado, rebelando-se contra a disputa por limites entre Paraná e Santa Catarina, o Major da Guarda Nacional Aleixo Gonçalves de Lima reuniu forças catarinenses e, indo á luta, enfrentou o regimento Policial do Paraná para defender a sua propriedade que estava sendo expoliada

Em 1906 e 1907, o ex-maragato e pró-catarinense Demétrio Ramos enfrentou o ex-pica-pau e pró-paranaense Manoel Fabrício Vieira, mais a polícia do Paraná, nos enfrentamentos que ficaram conhecidos como os Combates no Timbó, quando em disputa a exploração dos ervais nativos do Planalto Norte, entre União da Vitória e Canoinhas, dentro da Região do Contestado.

No ano de 1912, depois do ajuntamento em Taquaruçu, no Espaço Livre sob administração de Santa Catarina, o curandeiro José Maria “invadiu” em outubro a parte sob administração do Paraná e, apoiado pelos posseiros Miguel Fragoso e os Fabrício das Neves, foi artífice do célebre e famoso Combate do Banhado Grande, no Irani, quando ele foi morto e também morreu o comandante do Regimento de Segurança do Paraná.

Mais de um ano depois, em dezembro de 1913, quando reunidos em Taquaruçu (divisa entre Curitibanos e Campos Novos), em terras de Santa Catarina, os caboclos catarinenses são atacados por forças militares deste Estado, sob o olhar relutante do Exército e aí foi deflagrada a Guerra do Contestado, com combates, lutas, entreveros, entre a população catarinense e o Exército Brasileiro, com auge no Timbó em abril de 1915 e que se estenderam até janeiro de 1916 e terminaram de vez com a prisão do líder sertanejo Adeodato.

Em 1917, pouco mais de um ano depois de finda a Guerra do Contestado, inconformados com a solução dada à questão de limites entre Paraná e Santa Catarina, dividindo ao meio o espaço livre, fazendeiros, políticos e habitantes da região paranaense se rebelam e, sob a liderança maior do ex-maragato Cleto da Silva, de União da Vitória, tentam emancipar a área sob a égide de um projetado Estado das Missões e, a coluna armada é dissolvida à força pelo Exército.

A História Regional registra um acontecimento ímpar, que ficou conhecido como “O Levante de 1922”, aqui localizado estritamente na cidade de Porto União. Esta tentativa revolucionária ocorreu de forma combinada com outro levante posterior, de 29 de novembro de 1922, também fracassado, este em Florianópolis, timidamente ligado ao fenômeno do “Tenentismo”, quando forças do Exército tentaram tomar o Palácio do Governo de Hercílio Luz.

Alguns homens do setor meridional da Região do Contestado envolveram-se no movimento revolucionário gaúcho de 1923, mas sem muita significação. Um ano adiante disso, quando já configurado como Território, em 1924 o extremo ocidente do Contestado assistiu a passagem da Coluna Prestes, evento brasileiro que foi, depois, entre 1926 e 1927, intimamente relacionado com a Revolta de Leonel Rocha, em coluna armada que teve passagens na Região do Contestado, envolvendo sua população

A nova população da Região do Contestado, constituída a partir da formação do Território por imigrantes, envolveu-se diretamente na Revolução de 1930 e também na Revolução Constitucionalista de 1932, com a maioria dos habitantes compondo batalhões de voluntários em luta revolucionária ao lado dos apoiadores de Getúlio Vargas. Foram estes os últimos eventos de natureza bélica aqui registrados.

Considerações

Cada um destes 14 eventos bélicos teve início, meio e fim. Todos eles tiveram suas próprias causas e provocaram suas consequências. Envolveram inimigos bem identificados nos lados opostos. Em comum, aconteceram “no Contestado” – antes espaço livre e depois território organizado – no tempo histórico de cem anos, dentro dos séculos XIX e XX, ou, mais especificamente, de 1838 (o primeiro) a 1932 (o último).

Em que pesem as histórias de cada um destes eventos, para nós, o mais importante deles foi o denominado “Guerra do Contestado”, com início em dezembro de 1913 e final em janeiro de 1916, conflito social ocorrido no interior da Região do Contestado, ao sul do Rio Iguaçu e a oriente do vale do Rio do Peixe, em Santa Catarina.

Na atualidade, cada um destes acontecimentos da História do Contestado merece seus próprios “olhares centenários”. É o que acontece hoje, em 1912, com a comemoração histórica dos cem anos do evento “Combate do Irani”. E merecerá seu olhar centenário seguinte, de 1913 a 1916 quando dos cem anos da “Guerra do Contestado”.

 

A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) lançou nesta quarta-feira, 15 [de agosto], edital que permite que instituições privadas de ensino superior do sistema estadual migrem para o sistema federal. A migração é uma condição para aderir ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Educação Superior (Proies). O prazo para adesão vai até 30 de setembro de 2012.

O edital 01/2012 da Seres, de 14 de agosto, foi elaborado com o objetivo de disciplinar os procedimentos para a migração entre os sistemas. O processo de migração se dará pelo Sistema Eletrônico de Fluxo de Processos (eMEC), do Ministério da Educação. “O Proies busca reestruturar a saúde financeira das mantenedoras das instituições de ensino superior e garantir a qualidade acadêmica das instituições privadas”, explicou o secretário da Seres, Jorge Messias.

Podem participar da migração instituições de educação superior mantidas ou geridas pela iniciativa privada que se encontravam sob o poder regulatório dos sistemas estaduais de ensino. Com a migração, essas instituições passam a regulação e supervisão do MEC.

O Proies foi criado pela Lei nº 12.688/2012 e estabelece critérios para que as instituições particulares renegociem suas dívidas tributárias com o governo federal. Elas poderão converter até 90% das dívidas em oferta de bolsas de estudo, ao longo de 15 anos, e assim reduzir o pagamento em espécie a 10% do total devido. A medida visa a ampliar a oferta de educação superior e, ao mesmo tempo, a recuperação de créditos tributários.

Fonte Assessoria de Comunicação Social do MEC – 15 ago. 2012.