Finalmente, a “Região do Contestado” no Centro-Oeste do Estado será caracterizada cientificamente como um espaço nítido no Planalto Catarinense, a partir da sua formação histórica, educacional, cultural, econômica, política e da ocupação humana nos 60 municípios das suas microrregiões homogêneas. O trabalho pluridisciplinar e interdisciplinar será desenvolvido durante os próximos dois anos pelo Prof. Dr. Nilson Thomé, através da Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), tendo como instituição interveniente a Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) de Lages.

O projeto foi contemplado para receber incentivo do Estado, sendo selecionado pelo Edital Universal-FAPESC. O contrato entre a FAPESC, a UNIPLAC e o pesquisador – envolvendo o Programa de Mestrado em Educação da UNIPLAC – foi assinado em Lages em setembro, viabilizando de pronto o início da pesquisa, conforme o Termo de Outorga expedido.

A investigação proposta objetiva caracterizar a Região do Contestado como uma parcela específica do território estadual, integrando o Planalto Catarinense, organizado modernamente de forma gradativa a partir de 1917, depois do desaparecimento da condição de espaço livre e da Guerra do Contestado (1913-1916), atribuindo-lhe uma história comum e oferendo-lhe uma visão globalizada da atualidade.

O trabalho alcançará a base territorial dos 60 municípios do Centro-Oeste Catarinense, propiciando uma visão geral e macro-abrangente desta região, decompondo as estruturas fincadas em estudos segmentados de caracterizações individualizadas, das jurisdições das Secretarias de Estado de Desenvovimento Regional (de Curitibanos, Caçador, Canoinhas, Videira, Joçaba, Campos Novos, Concórdia, Lages e Mafra) e das associações microrregionais de municípios. O universo desta pesquisa coincide em parte com a área geográfica do recente pleito para a criação da Região Metropolitana do Contestado.

A pesquisa estará orientada para a coleta, catalogação, análise e interpretação de dados estatísticos e de informações qualitativas sobre as histórias, a educação e a culturas, políticas, fatos sociais e a economia das unidades municipais, viabilizando a montagem e a estruturação de um único contexto documental científico, narrativo e interpretativo da região estudada, aqui, maximizada.

Para o prof. Nilson Thomé, esta sua obra objetiva especificamente: estabelecer os mais importantes eventos de valor histórico-culturais do desenvolvimento do Centro-Oeste do Estado de Santa Catarina; eleger os marcos caracterizadores da cultura e da história dos 60 municípios que compõem a Região do Contestado; levantar os perfis históricos das populações municipais desde a criação de cada um dos municípios da Região do Contestado; apresentar um estudo da evolução dos indicadores sociais dos municípios deste território; interpretar as mudanças, as alterações, no quadro educacional e de desenvolvimento social, político, econômico e cultural e, finalmente, apresentar a realidade atual de cada município e de cada uma das microrregiões que integram o Contestado.

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Lages, 29 set. 2011.

Pesquisadores caçadorenses em ação no Mato Grosso do Sul

A participação das famílias pioneiras Gomes da Silva, Barros e Rondon no processo de desbravamento dos Pantanais da Nhecolândia e do Rio Negro, com a caracterização da Fazenda Barra Mansa como refúgio ecológico e cultural no Mato Grosso do Sul é o tema da pesquisa que está sendo desenvolvida pela pesquisadora Pollianna Thomé, Mestre em Geografia pela UFMS, com apoio do historiador Nilson Thomé, Mestre e Doutor em História da Educação pela UNICAMP.

A pesquisa conta com investimento do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) do Governo Estadual, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. O trabalho dos pesquisadores, iniciado em julho p.p. desenvolve-se nos municípios de Aquidauana, Miranda, Corumbá, Anastácio, e Campo Grande, com previsão para ser concluído em novembro.

Existe grande expectativa sobre a planejada construção da história da participação da importante família Rondon na ocupação, desbravamento e desenvolvimento do Pantanal sul-mato-grossense, com detalhes da caracterização geográfica, histórica e cultural do Pantanal do Rio Negro, onde a Fazenda Barra Mansa representa antropologicamente o ponto de união das famílias Barros e Rondon.

O trabalho, que contempla pesquisa documental, bibliográfica e de campo, tem alavancado um cabedal de conhecimentos que se avoluma e acumula como banco de dados também sobre o artesanato e o folclore das gentes interioranas pantaneiras que não se desligam das raízes, mantendo vivas as tradições populares, as mesmas de há duzentos antes atrás.

A Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) de Lages certificou o Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil" – mais conhecido pela sigla HISTEDBR-SERRA CATARINENSE, que foi registrado no Diretório dos GTs do Brasil do CNPq.

Os pesquisadores científicos da área da educação, integrantes dos programas de pós-graduação stricto sensu da Educação Superior do Estado de Santa Catarina tiveram a oportunidade de estar inseridos no Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil" (HISTEDBR) durante cerca de dez anos, no período de 1998 a 2009, quando foi instituída a sucursal, o HISTEDBR-CONTESTADO, em funcionamento no âmbito do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Contestado (UnC), no Campus Universitário de Caçador.

O Programa de Mestrado em Educação da UnC foi desativado em 2008, após a suspensão de novas entradas de mestrandos em 2006, Em seguida, em 2010, quando da desintegração parcial do Sistema multi-campi da UnC, com a saída do campus de Caçador, a Reitoria da Universidade do Contestado não recredenciou este grupo de pesquisas no Diretório do CNPq, razão pela qual foi considerado extinto.

Apesar do funcionamento de vários programas de Mestrado em Educação nas IES do Estado (UDESC) e do Sistema ACAFE (UNOESC, UNIPLAC, UNISUL, FURB, UNIVALI), em nenhum deles foi criado uma sucursal do HISTEDBR, ou GT, como havia em Caçador.

Entretanto, com a inserção de docentes pesquisadores do antigo HISTEDBR-CONTESTADO no Programa de Mestrado Acadêmico em Educação na UNIPLAC, em Lages, surgiu a idéia da recriação de um GT catarinense ao HISTEDBR NACIONAL, que tem sede na UNICAMP, em Campinas, para que fosse possível a retomada dos laços de integração institucional que ligava os membros deste GT regional com os outros, em muitos estados brasileiros.

O Grupo define-se pelo amplo campo de investigação no qual a temática da educação é trabalhada desde a História, com os métodos e teorias próprios e característicos dessa área do conhecimento. A denominação “História, Sociedade e Educação” se vincula a um entendimento que remete ao historiador - aquele que exercita a História com seus métodos, teorias e instrumentais - a tarefa de dedicar-se, entre outros objetos e problemas de investigação, à educação que, por sua vez, não é mera abstração, mas é social, geográfica e historicamente determinada.

Com a Linha Mestra de Pesquisa em “Educação, Cultura e Políticas Públicas”, este GT, que foi confiado à liderança do Prof. Dr. Nilson Thomé, investiga processos educativos, com ênfase na educação popular, movimentos sociais, educação ambiental, cultura e políticas públicas. Com especial interesse nos estudos sobre diferença, etnicidade, gênero, geracional, território e sustentabilidade. Também investiga temas e problemas no âmbito da educação nos diversos níveis e espaços sócio-educativos; focaliza os processos e práticas pedagógicas e a formação de professores e educadores, no contexto das discussões sobre inclusão/exclusão social e das políticas de interiorização da educação básica e superior; preocupa-se com as dimensões teóricas e filosófico-epistemológicas da construção do conhecimento.

O GT HISTEDBR-SERRA CATARINENSE concentrará suas pesquisas em:

- Historiografia e questões teórico-metodológicas da história da educação: comporta estudos que tenham ênfase na Historiografia e/ou de análise de Questões Teórico-metodológicas da produção histórico-educacional brasileira.

- História das Políticas Educacionais no Brasil e em Santa Catarina: situam-se as investigações que tenham por objetivo o estudo de problemas e temas relacionados à história da política educacional brasileira e catarinense.

- História das Instituições Escolares no Brasil e em Santa Catarina: localizam-se os projetos que tenham por objeto a análise histórica das instituições educacionais que tenham importância para a compreensão da educação.

Em capítulo sobre o Clima, enfocando as temperaturas em Caçador, o livro “Isto é Caçador – Estudo Geográfico do Município”, publicado pelo historiador e jornalista Nilson Thomé em 1978, registra à página 28:

“A temperatura mínima absoluta – e também a mínima em todo o Brasil nos últimos 35 anos – foi registrada em 11 de junho de 1952, com a marca de -14ºC (quatorze graus centígrados abaixo de zero)”.

Depois disso, na edição de 1995 do “Guiness Book – O Livro dos Recordes” constou a menção à página 27:

“Brasil. As maiores variações de temperatura do Brasil foram de 52ºC em Caçador, Santa Catarina (-14ºC a 11 de junho de 1952 e 38ºC a 6 de janeiro de 1948), e 51,5ºC em Xanxerê, Santa Catarina (-11,6ºC a 25 de junho de 1945 e 39,4ºC a 7 de janeiro de 1947)”.

E mais adiante, na mesma página, o “Livro dos Recordes Mundiais “confirma:

“Brasil. A 11 de junho de 1952, a temperatura mínima absoluta de -14ºC foi registrada em Caçador, Santa Catarina”.

Agora, em 2 de agosto de 2011, a jornalista Gisele Dias, da Assessoria de Comunicação da EPAGRI/CIRAM, divulga no site da organização a matéria sob o título “-14ºC é a menor temperatura registrada em SC, em 1952, e testemunhada por aposentado da Epagri”. Narra a reportagem:

No dia 11 de junho de 1952 os moradores de Caçador enfrentaram um frio de -14ºC, a menor temperatura registrada no território catarinense. A temperatura extrema foi registrada em um posto de meteorologia da cidade e testemunhada por Wilson de Oliveira Quadros, técnico rural que por anos exerceu a função de observador meteorológico a serviço da Epagri.

O site da Epagri/Ciram confirma a informação no link Recordes de Frio em SC. Segundo o meteorologista Clóvis Corrêa, é uma prática normal da meteorologia revisar frequentemente dados históricos, o que foi feito recentemente pela equipe do Centro. E tal trabalho reforçou a marca dos -14ºC registrados naquele distante dia congelante em Caçador.

Seu Wilson, hoje com 77 anos, aposentado e morador da Grande Florianópolis, é um dos pioneiros da meteorologia e da pesquisa rural em Santa Catarina. Nos períodos de 1956 a 1959 e de 1961 a 1962 foi responsável pelo setor de pesquisa e experimentação e meteorologia da Estação Experimental de Caçador. Em 1960 fez estágio na Seção de Climatologia Agrícola do IPEAS/Pelotas onde aprendeu, entre outras coisas, a manusear os aparelhos, fazer medições e elaborar relatórios de dados meteorológicos.

Foi graças a esse estágio que passou a exercer oficialmente a função de observador meteorológico e recebeu uma missão da qual se orgulha até hoje: montar e ser o encarregado do posto meteo-agrário de Caçador. A partir daí procurou meios de expressar sua paixão pela meteorologia e pela pesquisa: criou um informativo impresso distribuído por correio para a população local e passou a divulgar diariamente na rádio da cidade os dados medidos pela estação.

“O chefe responsável pelas medições antes desse período não permitia a divulgação dos dados, por isso é difícil encontrar registros na imprensa dos -14ºC verificados em 1952”, explica Seu Wilson. Ele criou e transmitia diariamente pela rádio o programa “Boa Noite Homem do Campo”, onde fazia questão de divulgar as pesquisas e a atuação dos pesquisadores, num tempo em que esses eram assuntos pouco discutidos no Brasil.

Pioneiro em vários aspectos, Seu Wilson exibe hoje currículo profissional invejável, tendo passado pela Embrapa, Ministério da Agricultura e Epagri. Quando fala de sua carreira revela, na entonação de voz e no gestual, todo o orgulho que tem pela vida profissional desenvolvida com amor e abnegação. Hoje aproveita a aposentadoria ao lado da esposa, filhos e netos, com a tranquilidade de quem cumpriu a missão máxima de um servidor público: trabalhar pelo desenvolvimento da sociedade.

Em evento interestadual realizado na cidade de Marcelino Ramos (RS), os filhos do Dr. Leônidas Coelho de Souza – Carlos Augusto Coelho de Souza Sobrinho (de Vacaria) e Maria Helena Coelho de Souza (de Caxias do Sul) – entregaram aos historiadores Nilson Thomé (de Caçador), Wilmar Rubnich (de Marcelino Ramos) e Lucila Sgarbi Santos (de Bom Jesus) todo o arquivo pessoal de seu pai, Leônidas, que estava sob guarda da família.
Como o Dr. Leônidas Coelho de Souza foi prefeito municipal de Caçador, de Marcelino Ramos e de Bom Jesus, o material foi distribuído entre os três historiadores, que utilizarão os arquivos pelos próximos meses, para pesquisas e, em seguida, os destinarão aos museus locais.
Os herdeiros do Dr. Leônidas Coelho de Souza escolheram o historiador caçadorense Nilson Thomé para receber o arquivo particular, formado por diversos conjuntos de documentos, fotografias, recortes impressos, correspondências, atos oficiais, armas, placas de homenagens e outras peças particulares, a maior parte referente aos primeiros anos do Município de Caçador, que foram guardadas pelo ilustre cidadão, ele que foi seu primeiro prefeito municipal, em 1934.
A solenidade pública foi realizada dias 3, 4 e 5 de junho p.p. no auditório da Fundação Cultural de Marcelino Ramos, presidida pelo Prefeito Paulo Tapia, com a presença de diversos vereadores e autoridades locais e regionais.
Ainda em junho, de forma conjunta, os três historiadores iniciaram a fase de exame e catalogação dos documentos, dando início às pesquisas em História.

A data de 1º de abril de 2011 marcou o início das atividades profissionais do prof. Nilson Thomé junto ao quadro do magistério superior da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) na progressista e acolhedora cidade de Lages. Neste dia, começou a integrar o corpo docente de pesquisadores doutores que atuam no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu – Mestrado Acadêmico em Educação – desta notável instituição de educação superior de Santa Catarina.

O Mestrado em Educação da UNIPLAC, primeiro programa de pós-graduação stricto sensu da universidade lageana, iniciou o seu funcionamento em 2005, foi reconhecido em 2007 e obteve recomendação pela CAPES em 2008. O projeto prima pela consideração da missão institucional (o compromisso histórico com a região) e leva em conta, ao mesmo tempo, as exigências e recomendações da CAPES, para esse nível de formação, e as condições institucionais (universidade comunitária e localização no interior).

A decisão de implantar este curso em Lages respeita as condições regionais, e permite processar os tempos e ritmos necessários à construção de uma verdadeira ambiência de pesquisa na Universidade, para disseminar a cultura científica no meio educacional e também para constituir um colegiado estável, tarefa difícil em cidades de pequeno ou médio porte no interior dos Estados brasileiros.